Agro brasileiro na União Europeia · conferido em 24/10/2026
Exportar mel para a União Europeia: tarifa, cota, limite de resíduo e alertas
De outubro de 2025 a setembro de 2026, o Brasil vendeu US$ 15,8 mi de mel à UE, 13,8% do que exportou do produto, sobretudo para Alemanha, Espanha e Países Baixos. Desde 03/09/2026 a UE não aceita mel do Brasil (art. 118 do Regulamento 2019/6). No acordo Mercosul-UE: das 1 linhas, 1 dentro de cota. O RASFF tem 2 notificações sobre o produto brasileiro.
As seis perguntas de quem exporta
- 1. Pode entrar? Não: Brasil fora da lista do art. 118 desde 03/09/2026.
- 2. Quanto paga? Das 1 linhas, 1 dentro de cota.
- 3. Que regra cumpre? Antimicrobiano, habilitação e certificado sanitário.
- 4. O que já deu errado? 2 notificações no RASFF, a última em 14/02/2024.
- 5. Quem compra e por quanto? US$ 15,8 mi em 12 meses; Alemanha na frente.
- 6. Que papel precisa? Prova de origem, autorização de cota, certificado sanitário.
Pode entrar? As regras da UE que tocam mel
Desde 03/09/2026 a UE não aceita mel do Brasil: o Regulamento de Execução (UE) 2026/1189 tirou o Brasil da lista de países que garantem não usar antimicrobiano como promotor de crescimento (art. 118 do Regulamento 2019/6). Mesma proposta de 21/10/2026 das aves, com a mesma votação pendente.
- Antimicrobiano (art. 118): Mel do Brasil fora da lista desde 03/09/2026. Mesma proposta de 21/10/2026 das aves, com a mesma votação pendente. Linha do tempo e efeito na exportação. Regulamento de Execução (UE) 2026/1189, de 04/06/2026, considerando 17; conferido em 24/10/2026.
- Lei antidesmatamento (EUDR): mel não está no anexo I do Regulamento (UE) 2023/1115. A EUDR alcança soja, café, cacau, gado, madeira, borracha e dendê.
Quanto paga para entrar: a tarifa da UE no acordo
Tarifa de importação da UE para mel natural vindo do Mercosul, linha a linha da Nomenclatura Combinada (NC 2026). Nenhuma das 1 linhas zerou em 01/05/2026, quando o acordo entrou em aplicação provisória. O ano 0 vai até 31/12/2026; o próximo degrau é em 1º de janeiro de 2027.
| NC | Produto | Tarifa cheia (MFN) | Brasil em 2026 | No acordo |
|---|---|---|---|---|
| 0409.00 · Mel natural | ||||
| 0409.00.00 | Mel natural | 17,3% | — | cota HY |
- "Brasil em 2026" é a tarifa preferencial publicada para o Brasil (coluna "aplicada em junho/2026" da planilha oficial), válida até 31/12/2026.
- Produto com preço de entrada (laranja, limão, uva) paga uma parte específica que depende do preço declarado na entrada; a tabela mostra o texto da planilha.
- Para ter a tarifa do acordo, o produto precisa ser originário do Mercosul e a origem tem de ser provada (veja "Que papel precisa").
Fonte: Siscomex, preferências tarifárias na exportação (planilha 12-06-26-tarifa-ue.xlsx, baixada em 24/10/2026); Decreto nº 12.953, de 28/04/2026.
Cota do acordo: quanto entra com tarifa reduzida
Dentro da cota a tarifa é menor (ou zero); fora dela vale a tarifa cheia. O volume é do Mercosul inteiro e cresce ano a ano.
Cota de mel (HY, número de ordem 09.0881)
Tarifa dentro da cota: zero. Distribuição: ordem de chegada (FCFS), trimestral.
| 2026 | 2027 | 2028 | 2029 | 2030 | 2031 |
|---|---|---|---|---|---|
| 7.500 | 15.000 | 22.500 | 30.000 | 37.500 | 45.000 |
2026 é o ano 0; o volume do último ano vale dali em diante.
Regra brasileira de 2026 (Mel): 5.000 t de maio a dezembro, no máximo 35 t por embarque, NCM 04090000.
| Período | Volume (t) | Saldo (t) | Situação |
|---|---|---|---|
| 01/05/2026 a 30/06/2026 | 1.402 | 0 | esgotou em 18/06/2026 |
| 01/07/2026 a 30/09/2026 | 1.875 | 0 | esgotou em 15/07/2026 |
| 01/10/2026 a 31/12/2026 | 2.189 | 1.407 | com saldo; última importação em 22/10/2026 |
Como o exportador brasileiro usa a cota
- O exportador pede licença de exportação no módulo LPCO do Portal Único Siscomex. O Decex distribui pela ordem dos pedidos, enquanto houver saldo.
- O pedido leva fatura proforma, fatura comercial ou documento equivalente com o peso líquido em kg.
- Cada pedido respeita a cota máxima por operação (a Portaria 501/2026 trocou o limite por empresa pelo limite por embarque).
- A licença vale 60 dias para ser vinculada a um item da DU-E. Sem vínculo, vence e o saldo volta para a cota; a reincidência no período leva ao indeferimento dos pedidos seguintes da empresa.
- Na DU-E, o código de enquadramento é 80900 para aves desossadas (TRQ-PY1) e 80100 para os demais produtos.
- Depois do desembaraço, o LPCO libera o Certificado de Autorização de Cotas Mercosul, com assinatura digital. Ele é o documento que o importador europeu apresenta; não garante, sozinho, a tarifa preferencial.
O volume da Portaria é o do Mercosul inteiro: 2/3 do volume do ano 0 da UE, porque o ano 0 tem 8 meses (maio a dezembro). Quanto cabe a cada país do bloco não está publicado.
Fontes: planilha de cotas do Siscomex; Portaria Secex nº 492, de 29/04/2026 (art. 102-A a 102-C da Portaria Secex nº 72/2020), com a redação das Portarias 495/2026 e 501/2026; TARIC QUOTA, Comissão Europeia.
Limite de resíduo na UE
A Anvisa não tem limite de resíduo para mel, então não há comparação. A UE fixa o seu (com 6 mudanças já marcadas no alimento). Mudanças de LMR marcadas na UE.
O que já deu errado: alertas da UE sobre mel do Brasil
2 notificações no RASFF, o sistema de alerta de alimentos e rações da UE, sobre produto de origem brasileira, 2 delas de carga rejeitada na fronteira. A mais recente é de 14/02/2024.
Por ano
- 2020 0
- 2021 0
- 2022 0
- 2023 0
- 2024 2
- 2025 0
- 2026 0
Que tipo de problema
Classe da notificação
- rejeição na fronteira2
As mais recentes
| Data | Produto | Perigo | Classe | Quem notificou |
|---|---|---|---|---|
| 14/02/2024 | Other | — | rejeição na fronteira, risco nenhum | Portugalcontrole na fronteira, carga retida |
| 14/02/2024 | Apis mellifera | — | rejeição na fronteira, risco nenhum | Portugalcontrole na fronteira, carga retida |
"Rejeição na fronteira" é carga barrada no posto de controle; alerta e informação são avisos entre os países da UE, muitas vezes de produto já no mercado. A notificação não diz quantas cargas o Brasil mandou nem é decisão sobre o país. Fonte: RASFF Window, Comissão Europeia, lista pública consultada em 26/10/2026. Todos os alertas sobre produto brasileiro.
Quanto o Brasil vende de mel à União Europeia
Exportação registrada no Comex Stat de outubro de 2025 a setembro de 2026, em dólar FOB (mel natural).
- Para a UE, 12 meses
- US$ 15,8 mi
- 4.555 t
- Parte da UE
- 13,8%
- do que o Brasil exporta do produto
- Preço médio FOB
- US$ 3.460/t
- valor ÷ peso, embarques para a UE
- Contra os 12 meses anteriores
- +130%
- US$ 6,9 mi antes
Exportação para a UE mês a mês, US$ milhões
Quem compra na UE (12 meses)
- Alemanha US$ 13,1 mi
- Espanha US$ 1,1 mi
- Países Baixos US$ 548 mil
- Portugal US$ 431 mil
- Polônia US$ 292 mil
- Bélgica US$ 179 mil
- Áustria US$ 135 mil
- Malta US$ 12 mil
País de destino declarado na exportação. Carga que entra pelo porto de Roterdã ou da Antuérpia pode seguir para outro país do bloco.
De onde sai no Brasil (UF do produto, 12 meses)
- Minas Gerais US$ 4,1 mi
- Santa Catarina US$ 2,7 mi
- Paraná US$ 2,6 mi
- Piauí US$ 2,1 mi
- Rio Grande do Sul US$ 1,7 mi
- São Paulo US$ 770 mil
- Bahia US$ 729 mil
- Maranhão US$ 405 mil
O Comex Stat registra a UF onde o produto foi produzido, não a sede da empresa exportadora.
| Ano | Para a UE | Peso | Parte da UE |
|---|---|---|---|
| 2023 | US$ 9,7 mi | 3.131 t | 11,4% |
| 2024 | US$ 7 mi | 2.501 t | 7% |
| 2025 | US$ 6,1 mi | 1.749 t | 5,2% |
| 2026 (até set/26) | US$ 13,9 mi | 4.013 t | 14,7% |
Fonte: Comex Stat (MDIC), bloco União Europeia, subposições 040900; dados até setembro de 2026, atualizados em 06/10/2026.
Quem disputa a UE com o Brasil
Nos 12 meses até agosto de 2026, a UE comprou € 389 mi de mel de fora do bloco. O Brasil foi o 10º fornecedor, com 0%; Ucrânia lidera, com 29%. O Brasil embarca mais em jun, jul e ago; Ucrânia, em jan, jun e nov.
| País | Valor | Peso | €/kg | Parte |
|---|---|---|---|---|
| Ucrânia | € 111 mi | 42 mil t | 2,65 | 28,6% |
| China | € 81,5 mi | 71,2 mil t | 1,15 | 21% |
| Argentina | € 62,2 mi | 28,8 mil t | 2,16 | 16% |
| México | € 25 mi | 9.216 t | 2,71 | 6,4% |
| Nova Zelândia | € 24,6 mi | 1.219 t | 20,22 | 6,3% |
| Chile | € 13,6 mi | 5.365 t | 2,53 | 3,5% |
| Moldávia | € 11,1 mi | 3.839 t | 2,88 | 2,8% |
| Vietnã | € 9 mi | 6.842 t | 1,31 | 2,3% |
Fonte: Eurostat, Comext (importação da UE-27 de fora do bloco, SH 040900), lido em 24/10/2026. Valor em euros no ponto de entrada da UE; não é o mesmo número do Comex Stat, que mede o embarque no Brasil em dólar.
NCM do mel
O código da nota fiscal de exportação. Os seis primeiros dígitos são os mesmos da Nomenclatura Combinada da UE, que define a tarifa do acordo. A ficha de cada NCM no Buscador NCM traz alíquotas, CEST e a reforma tributária.
- 0409.00.00 Mel natural.
Onde o Brasil produz mel
71,3 mil t em 4.149 municípios em 2025. Os 10 maiores, com a página de cada um.
- 1 Santa Luzia do Paruá (MA) 1.358 t · 1,9%
- 2 Arapoti (PR) 1.125 t · 1,6%
- 3 Boa Esperança do Sul (SP) 1.000 t · 1,4%
- 4 São Raimundo Nonato (PI) 898 t · 1,3%
- 5 Ortigueira (PR) 844 t · 1,2%
- 6 Caçapava do Sul (RS) 800 t · 1,1%
- 7 Santana do Cariri (CE) 780 t · 1,1%
- 8 Campo Alegre de Lourdes (BA) 776 t · 1,1%
- 9 Santiago (RS) 740 t · 1%
- 10 Picos (PI) 724 t · 1%
Por estado: RS 15%, PR 15%, PI 12%, MG 10%, SP 9%.
Fonte: IBGE, Pesquisa da Pecuária Municipal 2025. Município é onde se produz, não de onde sai a exportação.
Que papel precisa
- Prova de origem, para ter a tarifa do acordo. A prova de origem principal é a declaração de origem feita pelo próprio exportador num documento comercial (autocertificação, sem cadastro prévio). Por até 3 anos desde 01/05/2026, prorrogáveis por mais 2, vale também o Certificado de Origem emitido por entidade autorizada pela Secex. A origem declarada é "Mercosul", não "Brasil". O produto só é originário se cumprir o requisito específico de origem do seu código SH (para o agro em bruto, em geral, ser inteiramente obtido no Mercosul). Requisitos específicos de origem por SH (Siscomex); Acordo Provisório Mercosul-UE, capítulo 3 (arts. 3.16 a 3.22) e anexos 3-C e 3-D; Portaria Secex nº 249/2023, alterada pela Portaria Secex nº 490/2026.
- Na cota: licença de exportação no LPCO do Siscomex antes do embarque (até 35 t por embarque) e, depois do desembaraço, o Certificado de Autorização de Cotas Mercosul, que o importador apresenta.
- Certificado sanitário internacional do Ministério da Agricultura, só para estabelecimento habilitado a exportar para a UE, com a declaração sobre antimicrobianos exigida desde 03/09/2026.
Próximas datas para mel
Os prazos que mexem no produto. Calendário completo, também em arquivo de agenda.
- 31/12/2026Fim do ano 0 do acordo e das cotas de exportação da Portaria Secex 492/2026
- 01/01/2027Acordo Mercosul-UE: 2º degrau da desgravação (ano 1) e volume das cotas dobra
Mel no resto do site
- Perfil agropecuário dos estados que mais embarcam para a UE: MG, SC, PR.
- Agrotóxicos sem aprovação na União Europeia e registrados no Brasil.
Outros produtos na UE
Perguntas Frequentes
O Brasil pode exportar mel para a Europa?
Desde 03/09/2026 a UE não aceita mel do Brasil: o Regulamento de Execução (UE) 2026/1189 tirou o Brasil da lista de países que garantem não usar antimicrobiano como promotor de crescimento (art. 118 do Regulamento 2019/6). Mesma proposta de 21/10/2026 das aves, com a mesma votação pendente.
Qual a tarifa da União Europeia para mel do Brasil com o acordo Mercosul?
No acordo Mercosul-UE, em aplicação provisória desde 01/05/2026: das 1 linhas, 1 dentro de cota. Exemplo: 0409.00.00 (Mel natural), tarifa cheia 17,3%, para o Brasil em 2026, cota HY. A tabela desta página traz todas as linhas.
Quantas vezes a UE barrou mel brasileiro?
O RASFF, sistema de alerta de alimentos da UE, tem 2 notificações sobre mel de origem brasileira (2 rejeições na fronteira), a mais recente de 14/02/2024. O problema mais comum é outro. Notificação não é proibição: é o aviso de uma carga ou lote.
Para que países da Europa o Brasil mais exporta mel?
Nos 12 meses de outubro de 2025 a setembro de 2026, os maiores destinos foram Alemanha, Espanha e Países Baixos, num total de US$ 15,8 mi para a UE (13,8% do que o Brasil exportou do produto). A UF que mais embarcou para o bloco foi Minas Gerais.
Qual o preço de exportação do mel para a Europa?
Nos 12 meses de outubro de 2025 a setembro de 2026, o valor dividido pelo peso dos embarques para a UE deu US$ 3.460/t (FOB, média de todos os itens desta página), contra US$ 3.517/t na exportação para o mundo todo. É média de embarque registrada no Comex Stat, não cotação: o preço de cada contrato é negociado entre as partes.
Qual cidade mais produz mel no Brasil?
Santa Luzia do Paruá (MA) lidera, com 1.358 t em 2025, 1,9% do Brasil. Depois vêm Arapoti (PR), Boa Esperança do Sul (SP) e São Raimundo Nonato (PI). Por estado, RS (15%), PR (15%) e PI (12%) (IBGE, Pesquisa da Pecuária Municipal 2025).
Quem mais vende mel para a Europa?
Nos 12 meses até agosto de 2026, a UE comprou € 389 mi do produto de fora do bloco. Os maiores fornecedores foram Ucrânia (29%), China (21%) e Argentina (16%); o Brasil ficou em 10º, com 0% (Eurostat, Comext).
Qual a NCM do mel?
A NCM é 0409.00.00 (mel natural.). Os seis primeiros dígitos (o SH) são os mesmos da Nomenclatura Combinada da UE, que define a tarifa do acordo; a ficha de cada código no Buscador NCM traz as alíquotas e a reforma tributária.
Que documento precisa para exportar mel para a UE com a tarifa do acordo?
A prova de origem: A prova de origem principal é a declaração de origem feita pelo próprio exportador num documento comercial (autocertificação, sem cadastro prévio). Por até 3 anos desde 01/05/2026, prorrogáveis por mais 2, vale também o Certificado de Origem emitido por entidade autorizada pela Secex. A origem declarada é "Mercosul", não "Brasil". Na cota, também o Certificado de Autorização de Cotas Mercosul, que sai do LPCO do Siscomex depois do embarque. Produto de origem animal só entra de estabelecimento habilitado e com certificado sanitário.
Fontes: Comex Stat (MDIC); Siscomex, tarifa e cotas do acordo; TARIC QUOTA, EU Pesticides Database e RASFF Window, Comissão Europeia (reuso com crédito, Decisão 2011/833/UE); LMR da Anvisa; regras conferidas no ato em 24/10/2026. Metodologia e fontes.