O preço da soja e do milho ao produtor cai na colheita e sobe na entressafra. O tamanho dessa onda muda de estado para estado. A Calculadora Rural mediu o calendário com o preço médio mensal recebido pelo produtor, da Conab, em até 12 anos completos (2014 a 2025): para cada mês, o preço dividido pela média do próprio ano. Depois, a mediana entre os anos. O resultado diz em que mês o preço costuma ficar mais baixo, em qual fica mais alto e em quantos anos esse padrão se repetiu.
É um retrato do passado, não uma previsão. Câmbio, clima nos Estados Unidos e na Argentina e o tamanho da safra brasileira mudam o ano. O calendário mostra o padrão de onde o preço costuma partir.
Soja: o mês mais baixo e o mais alto por estado
Na média dos 15 estados com série longa, a soja paga 3,7% abaixo da média do ano em abril e 2,7% acima em dezembro. O padrão tem duas metades: de janeiro a julho, abaixo da média, com a colheita entrando; de agosto a dezembro, acima.
| Estado | Mês mais baixo | Mês mais alto | Diferença | Alto acima da média |
|---|---|---|---|---|
| Minas Gerais | abril −6,3% | novembro +8,8% | 16,1% | 8 de 11 anos |
| Distrito Federal | abril −7,2% | dezembro +6,2% | 14,5% | 7 de 11 anos |
| Mato Grosso | fevereiro −7% | setembro +5% | 12,8% | 8 de 12 anos |
| Piauí | janeiro −5,2% | outubro +3,8% | 9,5% | 6 de 11 anos |
| Mato Grosso do Sul | fevereiro −5% | novembro +3,8% | 9,3% | 8 de 12 anos |
| Maranhão | março −5% | novembro +3,7% | 9,2% | 7 de 12 anos |
| Bahia | fevereiro −5% | setembro +3,2% | 8,6% | 7 de 12 anos |
| Tocantins | maio −4,7% | dezembro +2,4% | 7,5% | 7 de 10 anos |
| Rondônia | janeiro −5,1% | outubro +1,8% | 7,3% | 7 de 12 anos |
| Pará | março −3,4% | dezembro +3,2% | 6,9% | 9 de 11 anos |
| Goiás | janeiro −3,3% | dezembro +3,3% | 6,8% | 7 de 12 anos |
| Santa Catarina | janeiro −4,6% | outubro +1,1% | 6% | 7 de 12 anos |
| Paraná | abril −3,7% | outubro +1,7% | 5,6% | 7 de 12 anos |
| Rio Grande do Sul | junho −2,3% | dezembro +2,5% | 5% | 7 de 12 anos |
| São Paulo | abril −2,7% | dezembro +1,6% | 4,4% | 8 de 12 anos |
Minas Gerais, Distrito Federal e Mato Grosso têm as maiores ondas. Em Mato Grosso, onde a colheita começa mais cedo, o fundo é fevereiro (−7%) e o topo é setembro (+5%), com setembro acima da média em 8 dos 12 anos. No Sul a onda é menor: no Paraná, 5,6% entre abril e outubro; no Rio Grande do Sul, 5% entre junho e dezembro.
Milho: a onda é maior
O milho tem o calendário mais marcado, porque a segunda safra (safrinha) concentra a oferta entre junho e agosto. Na média dos 16 estados, o milho paga 8% abaixo da média do ano em julho e 3,3% acima em março.
| Estado | Mês mais baixo | Mês mais alto | Diferença | Alto acima da média |
|---|---|---|---|---|
| Rondônia | agosto −13,5% | março +5,8% | 22,4% | 5 de 9 anos |
| Goiás | julho −13,5% | março +5,7% | 22,2% | 9 de 12 anos |
| Tocantins | julho −13,1% | abril +5,9% | 21,9% | 8 de 11 anos |
| Distrito Federal | agosto −12,5% | março +5,5% | 20,5% | 7 de 12 anos |
| Minas Gerais | agosto −10% | dezembro +8,5% | 20,5% | 7 de 12 anos |
| Mato Grosso do Sul | julho −11% | março +6% | 19% | 9 de 12 anos |
| Mato Grosso | julho −9,8% | abril +6,8% | 18,4% | 8 de 12 anos |
| Maranhão | agosto −10,8% | março +5,4% | 18,1% | 7 de 12 anos |
| Piauí | junho −8,2% | março +6,2% | 15,7% | 9 de 12 anos |
| São Paulo | julho −7,6% | março +5,8% | 14,5% | 7 de 12 anos |
| Bahia | junho −7,4% | dezembro +5,5% | 13,9% | 9 de 12 anos |
| Espírito Santo | junho −6,3% | dezembro +5,4% | 12,5% | 8 de 11 anos |
| Pará | setembro −4,9% | março +4,1% | 9,4% | 7 de 11 anos |
| Paraná | julho −6,6% | abril +1,9% | 9,1% | 6 de 12 anos |
| Santa Catarina | julho −5,8% | abril +1,9% | 8,2% | 6 de 12 anos |
| Rio Grande do Sul | março −4,3% | dezembro +2% | 6,6% | 7 de 12 anos |
Em Rondônia, Goiás, Tocantins, Distrito Federal e Minas Gerais a diferença entre o mês mais baixo e o mais alto passa de 20%. No Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul fica abaixo de 10%.
Novembro é o melhor mês? Em quantos anos cada mês ganhou
Outra forma de olhar é contar, ano a ano, qual mês teve o maior preço. Na soja, somando os 15 estados com série longa (174 anos completos de estado), janeiro foi o mês mais alto em 21% dos casos, novembro em 18% e dezembro em 14%. Nenhum mês passa de um quarto dos anos.
Janeiro só ganhou em ano de preço em queda: nos 37 casos, dezembro fechou abaixo de janeiro, e quase todos são de 2017 e 2023. Nos outros 137 casos, setembro a dezembro levaram 81 (59%), o mesmo trimestre que a mediana aponta. Em Mato Grosso, novembro foi o mês mais alto em 3 dos 12 anos; em Mato Grosso do Sul, em 4.
No milho, dezembro foi o mês mais alto em 21% dos anos de estado e janeiro em 16%, de novo puxado por 2017 e 2023. É por isso que as tabelas acima usam a mediana do índice: ela diz quanto cada mês costuma pagar em relação ao próprio ano, e não só qual mês ganhou uma vez.
A conta de guardar: armazém e dinheiro
Esperar o mês mais alto só compensa se o preço sobe mais do que custa guardar. São dois custos:
- Armazém. A tabela de tarifas da Conab para produto da PGPM (vigência 01/05/2025) cobra, para soja e milho a granel, R$ 3,95 por tonelada por quinzena de armazenagem mais 0,15% do valor por quinzena de sobretaxa, além de R$ 3,45 por tonelada na recepção e outros R$ 3,45 na expedição.
- Dinheiro. O grão parado é dinheiro que não entrou. Pela Selic de 13,75% ao ano (meta do Copom em outubro de 2026), isso equivale a cerca de 1,08% ao mês. É o que o dinheiro renderia aplicado. Para quem deve, é o juro que se deixa de abater.
Com o preço de referência da Conab na semana de 16/10/2026 e o calendário mediano, três casos:
| caso | guarda | o preço sobe | armazém | dinheiro | sobra |
|---|---|---|---|---|---|
| soja em Mato Grosso | de fevereiro a setembro (7 meses) | 12,8% | 4,8% | 7,8% | +0,2 ponto |
| milho em Goiás | de julho a março (8 meses) | 22,2% | 10,2% | 9,0% | +3,0 pontos |
| soja no Paraná | de abril a outubro (6 meses) | 5,6% | 4,2% | 6,7% | −5,3 pontos |
A soja de Mato Grosso fica no empate: o custo do dinheiro decide. O milho de Goiás, com a onda maior, sobra. A soja do Paraná, com a onda curta, perde para os juros. Quem tem silo próprio não paga a tarifa, mas paga energia, secagem, quebra técnica e o investimento no silo. E quem vende a prazo ou trava preço em contrato muda a conta inteira.
Onde guardar faz diferença
O calendário só vale para quem tem onde guardar. Em Mato Grosso os armazéns comportam 53% da safra de grãos; em Goiás, 49%. Quem não tem silo e não encontra espaço na região vende na colheita, no mês mais baixo. A capacidade de cada município, a produção e o crédito contratado para construir armazém estão no retrato da armazenagem de grãos por estado e município.
Como ver o calendário do seu estado
Cada página de preço por estado traz o histórico mensal e os 12 meses do calendário, com quantos anos cada mês ficou acima da média: soja em Mato Grosso, soja no Paraná, milho em Goiás, milho em Mato Grosso. O preço da semana, a margem por hectare com o custo da Conab e o desconto do Funrural ficam na mesma página.
Perguntas frequentes
Qual o melhor mês para vender soja?
Na mediana de até 12 anos de preço ao produtor da Conab, os meses mais altos ficam entre setembro e dezembro na maioria dos estados. Os mais baixos ficam entre janeiro e abril, na colheita. Em Mato Grosso, setembro paga 5% acima da média do ano e fevereiro 7% abaixo. O calendário de cada estado está na página de preço da soja do estado.
Qual o melhor mês para vender milho?
Na média dos estados, março e abril são os meses mais altos e julho e agosto os mais baixos, quando entra a segunda safra. Em Goiás, março paga 5,7% acima da média do ano e julho 13,5% abaixo.
Vale a pena armazenar soja para vender depois?
Depende do estado e do juro. Com a tarifa de armazenagem da Conab e a Selic de 13,75% ao ano, a soja de Mato Grosso guardada de fevereiro a setembro empata na mediana; a do Paraná, de abril a outubro, perde. O milho, com a variação maior entre safra e entressafra, tende a compensar mais.
Quanto custa armazenar soja por mês?
Na tabela da Conab para produto da PGPM, a armazenagem a granel custa R$ 3,95 por tonelada por quinzena mais 0,15% do valor por quinzena, cerca de R$ 15 por tonelada por mês com a soja a R$ 2.300 a tonelada. Recepção e expedição custam R$ 3,45 por tonelada cada. Armazém particular pode cobrar outra tabela.
O melhor mês para vender soja é novembro?
Novembro é um dos meses que mais vezes teve o maior preço do ano: em 18% dos anos de estado de 2014 a 2025, atrás de janeiro (21%, só em ano de preço em queda). Na mediana, o trimestre de setembro a dezembro paga acima da média do ano na maioria dos estados. Em Mato Grosso o topo da mediana é setembro; em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão, novembro.
Qual o melhor mês para comprar milho?
Para quem compra, como o pecuarista que faz ração, o mês mais barato é o da colheita da segunda safra: na média dos estados, julho paga 8% abaixo da média do ano e agosto 7,3%. Em Goiás, julho fica 13,5% abaixo. Março e abril são os meses mais caros.
Onde ver o preço da soja e do milho hoje?
A Conab publica o preço recebido pelo produtor toda semana, por estado. As páginas de preço da soja e de preço do milho trazem a última semana de cada estado, o histórico mensal e o calendário de venda.
O calendário de preço é uma previsão?
Não. É a mediana do que aconteceu nos anos completos da série. Um ano de quebra de safra nos Estados Unidos ou de câmbio muito alto pode inverter o padrão. O número de anos em que o mês ficou acima da média mostra o quanto o padrão se repete.
Fontes oficiais
Conab, Portal de Informações Agropecuárias, preço médio mensal recebido pelo produtor (SIAGRO) · Conab, tabela de tarifas para produtos da PGPM, vigência 01/05/2025 · Banco Central, meta da taxa Selic (SGS 432). Preços nominais, sem correção.
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