Guia Técnico Rural

Melhor mês para vender soja e milho em cada estado

Calendário do preço da soja e do milho ao produtor por estado (Conab): o mês mais baixo, o mais alto e a conta de guardar com armazém e juros.

Publicado em 17 de outubro de 2026
Atualizado em 21 de outubro de 2026
8 min de leitura
Índice do Artigo

O preço da soja e do milho ao produtor cai na colheita e sobe na entressafra. O tamanho dessa onda muda de estado para estado. A Calculadora Rural mediu o calendário com o preço médio mensal recebido pelo produtor, da Conab, em até 12 anos completos (2014 a 2025): para cada mês, o preço dividido pela média do próprio ano. Depois, a mediana entre os anos. O resultado diz em que mês o preço costuma ficar mais baixo, em qual fica mais alto e em quantos anos esse padrão se repetiu.

É um retrato do passado, não uma previsão. Câmbio, clima nos Estados Unidos e na Argentina e o tamanho da safra brasileira mudam o ano. O calendário mostra o padrão de onde o preço costuma partir.

Soja: o mês mais baixo e o mais alto por estado

Na média dos 15 estados com série longa, a soja paga 3,7% abaixo da média do ano em abril e 2,7% acima em dezembro. O padrão tem duas metades: de janeiro a julho, abaixo da média, com a colheita entrando; de agosto a dezembro, acima.

Preço de cada mês ÷ média do mesmo ano, mediana dos anos completos (Conab/SIAGRO, valores nominais). Estados com 8 anos ou mais de série.
Estado Mês mais baixo Mês mais alto Diferença Alto acima da média
Minas Gerais abril −6,3% novembro +8,8% 16,1% 8 de 11 anos
Distrito Federal abril −7,2% dezembro +6,2% 14,5% 7 de 11 anos
Mato Grosso fevereiro −7% setembro +5% 12,8% 8 de 12 anos
Piauí janeiro −5,2% outubro +3,8% 9,5% 6 de 11 anos
Mato Grosso do Sul fevereiro −5% novembro +3,8% 9,3% 8 de 12 anos
Maranhão março −5% novembro +3,7% 9,2% 7 de 12 anos
Bahia fevereiro −5% setembro +3,2% 8,6% 7 de 12 anos
Tocantins maio −4,7% dezembro +2,4% 7,5% 7 de 10 anos
Rondônia janeiro −5,1% outubro +1,8% 7,3% 7 de 12 anos
Pará março −3,4% dezembro +3,2% 6,9% 9 de 11 anos
Goiás janeiro −3,3% dezembro +3,3% 6,8% 7 de 12 anos
Santa Catarina janeiro −4,6% outubro +1,1% 6% 7 de 12 anos
Paraná abril −3,7% outubro +1,7% 5,6% 7 de 12 anos
Rio Grande do Sul junho −2,3% dezembro +2,5% 5% 7 de 12 anos
São Paulo abril −2,7% dezembro +1,6% 4,4% 8 de 12 anos

Minas Gerais, Distrito Federal e Mato Grosso têm as maiores ondas. Em Mato Grosso, onde a colheita começa mais cedo, o fundo é fevereiro (−7%) e o topo é setembro (+5%), com setembro acima da média em 8 dos 12 anos. No Sul a onda é menor: no Paraná, 5,6% entre abril e outubro; no Rio Grande do Sul, 5% entre junho e dezembro.

Milho: a onda é maior

O milho tem o calendário mais marcado, porque a segunda safra (safrinha) concentra a oferta entre junho e agosto. Na média dos 16 estados, o milho paga 8% abaixo da média do ano em julho e 3,3% acima em março.

Preço de cada mês ÷ média do mesmo ano, mediana dos anos completos (Conab/SIAGRO, valores nominais). Estados com 8 anos ou mais de série.
Estado Mês mais baixo Mês mais alto Diferença Alto acima da média
Rondônia agosto −13,5% março +5,8% 22,4% 5 de 9 anos
Goiás julho −13,5% março +5,7% 22,2% 9 de 12 anos
Tocantins julho −13,1% abril +5,9% 21,9% 8 de 11 anos
Distrito Federal agosto −12,5% março +5,5% 20,5% 7 de 12 anos
Minas Gerais agosto −10% dezembro +8,5% 20,5% 7 de 12 anos
Mato Grosso do Sul julho −11% março +6% 19% 9 de 12 anos
Mato Grosso julho −9,8% abril +6,8% 18,4% 8 de 12 anos
Maranhão agosto −10,8% março +5,4% 18,1% 7 de 12 anos
Piauí junho −8,2% março +6,2% 15,7% 9 de 12 anos
São Paulo julho −7,6% março +5,8% 14,5% 7 de 12 anos
Bahia junho −7,4% dezembro +5,5% 13,9% 9 de 12 anos
Espírito Santo junho −6,3% dezembro +5,4% 12,5% 8 de 11 anos
Pará setembro −4,9% março +4,1% 9,4% 7 de 11 anos
Paraná julho −6,6% abril +1,9% 9,1% 6 de 12 anos
Santa Catarina julho −5,8% abril +1,9% 8,2% 6 de 12 anos
Rio Grande do Sul março −4,3% dezembro +2% 6,6% 7 de 12 anos

Em Rondônia, Goiás, Tocantins, Distrito Federal e Minas Gerais a diferença entre o mês mais baixo e o mais alto passa de 20%. No Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul fica abaixo de 10%.

Novembro é o melhor mês? Em quantos anos cada mês ganhou

Outra forma de olhar é contar, ano a ano, qual mês teve o maior preço. Na soja, somando os 15 estados com série longa (174 anos completos de estado), janeiro foi o mês mais alto em 21% dos casos, novembro em 18% e dezembro em 14%. Nenhum mês passa de um quarto dos anos.

Janeiro só ganhou em ano de preço em queda: nos 37 casos, dezembro fechou abaixo de janeiro, e quase todos são de 2017 e 2023. Nos outros 137 casos, setembro a dezembro levaram 81 (59%), o mesmo trimestre que a mediana aponta. Em Mato Grosso, novembro foi o mês mais alto em 3 dos 12 anos; em Mato Grosso do Sul, em 4.

No milho, dezembro foi o mês mais alto em 21% dos anos de estado e janeiro em 16%, de novo puxado por 2017 e 2023. É por isso que as tabelas acima usam a mediana do índice: ela diz quanto cada mês costuma pagar em relação ao próprio ano, e não só qual mês ganhou uma vez.

A conta de guardar: armazém e dinheiro

Esperar o mês mais alto só compensa se o preço sobe mais do que custa guardar. São dois custos:

  1. Armazém. A tabela de tarifas da Conab para produto da PGPM (vigência 01/05/2025) cobra, para soja e milho a granel, R$ 3,95 por tonelada por quinzena de armazenagem mais 0,15% do valor por quinzena de sobretaxa, além de R$ 3,45 por tonelada na recepção e outros R$ 3,45 na expedição.
  2. Dinheiro. O grão parado é dinheiro que não entrou. Pela Selic de 13,75% ao ano (meta do Copom em outubro de 2026), isso equivale a cerca de 1,08% ao mês. É o que o dinheiro renderia aplicado. Para quem deve, é o juro que se deixa de abater.

Com o preço de referência da Conab na semana de 16/10/2026 e o calendário mediano, três casos:

casoguardao preço sobearmazémdinheirosobra
soja em Mato Grossode fevereiro a setembro (7 meses)12,8%4,8%7,8%+0,2 ponto
milho em Goiásde julho a março (8 meses)22,2%10,2%9,0%+3,0 pontos
soja no Paranáde abril a outubro (6 meses)5,6%4,2%6,7%−5,3 pontos

A soja de Mato Grosso fica no empate: o custo do dinheiro decide. O milho de Goiás, com a onda maior, sobra. A soja do Paraná, com a onda curta, perde para os juros. Quem tem silo próprio não paga a tarifa, mas paga energia, secagem, quebra técnica e o investimento no silo. E quem vende a prazo ou trava preço em contrato muda a conta inteira.

Onde guardar faz diferença

O calendário só vale para quem tem onde guardar. Em Mato Grosso os armazéns comportam 53% da safra de grãos; em Goiás, 49%. Quem não tem silo e não encontra espaço na região vende na colheita, no mês mais baixo. A capacidade de cada município, a produção e o crédito contratado para construir armazém estão no retrato da armazenagem de grãos por estado e município.

Como ver o calendário do seu estado

Cada página de preço por estado traz o histórico mensal e os 12 meses do calendário, com quantos anos cada mês ficou acima da média: soja em Mato Grosso, soja no Paraná, milho em Goiás, milho em Mato Grosso. O preço da semana, a margem por hectare com o custo da Conab e o desconto do Funrural ficam na mesma página.

Perguntas frequentes

Qual o melhor mês para vender soja?

Na mediana de até 12 anos de preço ao produtor da Conab, os meses mais altos ficam entre setembro e dezembro na maioria dos estados. Os mais baixos ficam entre janeiro e abril, na colheita. Em Mato Grosso, setembro paga 5% acima da média do ano e fevereiro 7% abaixo. O calendário de cada estado está na página de preço da soja do estado.

Qual o melhor mês para vender milho?

Na média dos estados, março e abril são os meses mais altos e julho e agosto os mais baixos, quando entra a segunda safra. Em Goiás, março paga 5,7% acima da média do ano e julho 13,5% abaixo.

Vale a pena armazenar soja para vender depois?

Depende do estado e do juro. Com a tarifa de armazenagem da Conab e a Selic de 13,75% ao ano, a soja de Mato Grosso guardada de fevereiro a setembro empata na mediana; a do Paraná, de abril a outubro, perde. O milho, com a variação maior entre safra e entressafra, tende a compensar mais.

Quanto custa armazenar soja por mês?

Na tabela da Conab para produto da PGPM, a armazenagem a granel custa R$ 3,95 por tonelada por quinzena mais 0,15% do valor por quinzena, cerca de R$ 15 por tonelada por mês com a soja a R$ 2.300 a tonelada. Recepção e expedição custam R$ 3,45 por tonelada cada. Armazém particular pode cobrar outra tabela.

O melhor mês para vender soja é novembro?

Novembro é um dos meses que mais vezes teve o maior preço do ano: em 18% dos anos de estado de 2014 a 2025, atrás de janeiro (21%, só em ano de preço em queda). Na mediana, o trimestre de setembro a dezembro paga acima da média do ano na maioria dos estados. Em Mato Grosso o topo da mediana é setembro; em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão, novembro.

Qual o melhor mês para comprar milho?

Para quem compra, como o pecuarista que faz ração, o mês mais barato é o da colheita da segunda safra: na média dos estados, julho paga 8% abaixo da média do ano e agosto 7,3%. Em Goiás, julho fica 13,5% abaixo. Março e abril são os meses mais caros.

Onde ver o preço da soja e do milho hoje?

A Conab publica o preço recebido pelo produtor toda semana, por estado. As páginas de preço da soja e de preço do milho trazem a última semana de cada estado, o histórico mensal e o calendário de venda.

O calendário de preço é uma previsão?

Não. É a mediana do que aconteceu nos anos completos da série. Um ano de quebra de safra nos Estados Unidos ou de câmbio muito alto pode inverter o padrão. O número de anos em que o mês ficou acima da média mostra o quanto o padrão se repete.

Fontes oficiais

Conab, Portal de Informações Agropecuárias, preço médio mensal recebido pelo produtor (SIAGRO) · Conab, tabela de tarifas para produtos da PGPM, vigência 01/05/2025 · Banco Central, meta da taxa Selic (SGS 432). Preços nominais, sem correção.

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