Guia Técnico Rural

Preço da CEASA: Como Funciona o Atacado de Hortifrúti e Como Acompanhar

Guia completo dos preços de atacado nas CEASAs do Brasil: o que é a cotação, atacado x varejo, como o preço se forma, sazonalidade, unidades (kg, dúzia) e como comparar o preço de cada produto entre as centrais. Dados Conab/Prohort.

Publicado em 14 de junho de 2026
Atualizado em 14 de junho de 2026
10 min de leitura
Índice do Artigo

O preço do tomate, da alface ou da batata muda toda semana — e quase sempre começa a mudar na CEASA, a central de abastecimento onde o atacado de hortifrúti é negociado antes de chegar ao sacolão, à feira e ao supermercado. Quem entende a cotação da CEASA compra melhor, vende melhor e enxerga a tendência de preço antes do varejo. Este guia explica como esse mercado funciona, como ler a cotação e como acompanhar o preço de cada produto em mais de 40 centrais do país.

O que é a CEASA

CEASA é a sigla de Central de Abastecimento. São entrepostos atacadistas — o mais conhecido é a CEAGESP, em São Paulo, a maior da América Latina — onde produtores, cooperativas e atacadistas vendem frutas, verduras, legumes e ovos em volume. É ali que se forma o preço de atacado do hortifrúti, a referência que depois se espalha pelo varejo.

Os preços praticados nas CEASAs são levantados diariamente e consolidados pelo Prohort, o Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro, mantido pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). É a fonte oficial usada neste site: cotação diária por produto, por central, com histórico mensal de até 24 meses.

Atacado, não varejo. O preço da CEASA é o que o atacadista paga — antes da margem do varejo. No supermercado, o preço final ao consumidor costuma ficar bem acima do valor da central.

Atacado x varejo: por que a diferença é grande

Entre a cotação da CEASA e a etiqueta do supermercado entram transporte, perdas, embalagem, mão de obra e a margem de cada elo. A diferença varia por produto e por região, mas a lógica é sempre a mesma:

Elo da cadeiaO que acrescenta ao preço
Produtor → CEASAfrete da lavoura, classificação, embalagem
CEASA (atacado)preço de referência deste site
CEASA → varejofrete, perdas (10–30% em folhosas), margem do sacolão/mercado
Varejo → consumidormargem final, ponto comercial, serviço

Por isso a cotação de atacado é tão valiosa: ela é o piso real do mercado, o número que feirantes, restaurantes, atacadistas e compradores em volume usam para negociar — e o melhor termômetro para o consumidor saber se o preço da feira está justo.

Como o preço do hortifrúti se forma

Diferente dos grãos, que têm cotação em bolsa e estoque longo, o hortifrúti é perecível e sazonal. O preço reage rápido a:

  • Safra e entressafra — na colheita a oferta sobe e o preço cai; na entressafra, sobe;
  • Clima — geada, chuva fora de época ou seca mudam a cotação em dias;
  • Frete e distância — produto que vem de longe carrega o custo do transporte;
  • Oferta regional — cada CEASA reflete a produção da sua região, por isso o mesmo produto tem preços diferentes entre as centrais.

Essa volatilidade é a razão de acompanhar a série histórica: ela separa a variação sazonal normal de um movimento real de mercado. Um tomate 20% mais caro pode ser só o pico sazonal de sempre — ou um sinal de quebra de safra.

Como ler a cotação: unidades e variação

Um erro comum é comparar preços sem olhar a unidade. Nem tudo é cotado por quilo:

ProdutoUnidade típicaObservação
Tomate, batata, cebola, bananaR$/kgmaioria dos produtos
Alface, couveR$/dúzia (dz)vendidas por maço/unidade
OvosR$/dúziapor dúzia ou caixa
Coco verdeR$/unidade (un)unidade

Comparar “R$ 25 a dúzia” de alface com “R$ 3 o quilo” de tomate não faz sentido — são unidades diferentes. Nas páginas de cada produto a unidade vem sempre indicada, junto com a variação na semana (alta ▲ ou queda ▼ frente a ~7 dias antes) e o histórico mensal.

Sazonalidade: o melhor mês para comprar

Cada hortifrúti tem uma curva anual. Conhecer o mês de safra (preço mais baixo) e o de entressafra (mais caro) ajuda a planejar a compra para revenda, o cardápio do restaurante ou o estoque do processamento. Alguns padrões clássicos:

  • Tomate — tende a ficar mais barato no fim da safra de inverno e mais caro em períodos de chuva intensa;
  • Morango — concentra os menores preços na primavera/início do verão;
  • Frutas tropicais (manga, melancia) — caem no auge da colheita de verão.

Em cada página de produto, a análise de sazonalidade aponta automaticamente o mês historicamente mais barato e o mais caro, com base na média dos últimos dois anos. É a informação que o comprador profissional usa para “comprar na janela”.

Comparar o preço entre CEASAs

Aqui está a maior lacuna do mercado: cada central publica a sua cotação, em formatos diferentes, sem comparação nacional. Para saber onde o alho está mais barato hoje, seria preciso abrir dezenas de sites estaduais.

Este site resolve isso: para cada produto, mostramos o ranking das centrais que cotam aquele item, da mais barata à mais cara, sempre com cotações recentes (para não misturar preços de datas distantes). Assim dá para ver, por exemplo, em qual CEASA a banana prata está mais em conta na semana — um cruzamento de dados que nenhuma central isolada oferece.

As principais CEASAs do Brasil

O país tem dezenas de centrais. Algumas concentram a maior parte do volume e servem de referência de preço para regiões inteiras:

CentralPraçaAbrangência
CEAGESPSão Paulo (SP)maior da América Latina; referência nacional
CEASAMINASContagem (MG)maior do Sudeste fora de SP
CEASA CampinasCampinas (SP)interior paulista
CEASA-PRCuritiba, Maringá, Londrina (PR)rede estadual do Paraná
CEASA-RSPorto Alegre (RS)referência do Sul
CEASA-GOGoiânia (GO)Centro-Oeste
CEASA-DFBrasília (DF)Distrito Federal e entorno
CEASA Grande RecifeRecife (PE)Nordeste

Cada uma reflete a produção e a logística da sua região — por isso o mesmo produto pode custar bem diferente entre elas. Na seção de Preços CEASA você navega por central e por produto, e compara as cotações lado a lado.

Para quem produz e comercializa

Para o produtor e o atacadista, a cotação da CEASA é a base de várias decisões:

  • Dimensionar a venda — saber o preço de atacado antes de fechar com o comprador;
  • Planejar a colheita — antecipar ou segurar a oferta conforme a curva de preço;
  • Emitir a nota fiscal — todo produto tem um código NCM (o do alho é o 0703.20.90, por exemplo) usado na nota e na tributação. As páginas de produto já trazem o link para a ficha fiscal completa no Buscador NCM.

Quem produz grãos, e não hortifrúti, encontra a análise equivalente na calculadora de custo e margem por hectare e no comparador de margem entre culturas — e pode navegar tudo por cultura.

Onde acompanhar os preços

A seção de Preços CEASA reúne a cotação de atacado de dezenas de produtos em mais de 40 centrais do Brasil, com:

  • preço de hoje e variação na semana, por produto e por central;
  • histórico de até 24 meses em gráfico interativo;
  • sazonalidade (mês mais barato) e picos de preço;
  • comparação entre CEASAs (onde está mais barato);
  • cruzamento com o produtor — link para o perfil agropecuário do município e para a ficha fiscal NCM de cada produto.

Glossário: termos da cotação

Quem acompanha a CEASA esbarra em termos próprios do atacado. Os principais:

  • Preço mais comum — o valor em que a maior parte dos negócios fechou no dia; é a melhor referência (mais que o mínimo ou o máximo isolados);
  • Preço mínimo e máximo — a faixa do dia; produtos de qualidade superior puxam o topo;
  • Caixa (cx) / engradado — a embalagem padrão de comercialização (uma caixa de tomate, um engradado de folhosas); o preço por quilo deriva dela;
  • Classificação / tipo — produtos são separados por tamanho e qualidade (ex.: tomate longa vida, salada); o tipo muda o preço;
  • Posto na CEASA — preço com o produto já entregue na central, sem frete adicional ao comprador.

Entender esses termos evita comparar maçãs com bananas — literalmente. Na seção de Preços CEASA a cotação já vem normalizada por unidade (R$/kg, dúzia ou unidade), com a data de cada registro, para a comparação ser justa.

Quem usa a cotação da CEASA

A referência de atacado serve a públicos diferentes:

  • Produtores e cooperativas — para negociar a venda e decidir quando colher ou segurar a oferta;
  • Atacadistas e distribuidores — base de compra e revenda;
  • Sacolões, feirantes e supermercados — para precificar com a margem do varejo;
  • Restaurantes, hotéis e indústria — para planejar compras em volume e o cardápio pela sazonalidade;
  • Consumidor atento — para saber se o preço da feira está justo frente ao atacado.

Perguntas frequentes

O preço da CEASA é o que eu pago na feira?

Não. É o preço de atacado, pago pelo atacadista na central — antes do frete, das perdas e da margem do varejo. Na feira e no mercado, o consumidor paga mais. A cotação serve de referência para saber se o preço do varejo está justo.

Por que o mesmo produto tem preços diferentes entre as CEASAs?

Porque cada central reflete a oferta da sua região. Um produto cultivado perto de uma CEASA chega mais barato ali; em outra central, mais distante, carrega o frete. Clima e safra regionais também pesam. Por isso vale comparar entre as centrais.

Com que frequência o preço é atualizado?

A cotação do hortifrúti é diária (dias úteis). Os dados vêm do Prohort/Conab e cada central reporta em dias ligeiramente diferentes — por isso a comparação “onde está mais barato” usa apenas as cotações mais recentes.

Qual o NCM do tomate, do alho, da batata?

Cada produto in natura tem um código NCM (tomate 0702.00.00, alho 0703.20.90, batata 0701.90.00). Ele é usado na nota fiscal e na tributação. A página de cada produto traz o link direto para a ficha fiscal no Buscador NCM.

Como sei o melhor mês para comprar mais barato?

Pela sazonalidade histórica. Cada página de produto aponta o mês que costuma concentrar os menores preços, com base na média dos últimos 24 meses — útil para quem compra para revenda, restaurante ou processamento.