O preço do tomate, da alface ou da batata muda toda semana — e quase sempre começa a mudar na CEASA, a central de abastecimento onde o atacado de hortifrúti é negociado antes de chegar ao sacolão, à feira e ao supermercado. Quem entende a cotação da CEASA compra melhor, vende melhor e enxerga a tendência de preço antes do varejo. Este guia explica como esse mercado funciona, como ler a cotação e como acompanhar o preço de cada produto em mais de 40 centrais do país.
O que é a CEASA
CEASA é a sigla de Central de Abastecimento. São entrepostos atacadistas — o mais conhecido é a CEAGESP, em São Paulo, a maior da América Latina — onde produtores, cooperativas e atacadistas vendem frutas, verduras, legumes e ovos em volume. É ali que se forma o preço de atacado do hortifrúti, a referência que depois se espalha pelo varejo.
Os preços praticados nas CEASAs são levantados diariamente e consolidados pelo Prohort, o Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro, mantido pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). É a fonte oficial usada neste site: cotação diária por produto, por central, com histórico mensal de até 24 meses.
Atacado, não varejo. O preço da CEASA é o que o atacadista paga — antes da margem do varejo. No supermercado, o preço final ao consumidor costuma ficar bem acima do valor da central.
Atacado x varejo: por que a diferença é grande
Entre a cotação da CEASA e a etiqueta do supermercado entram transporte, perdas, embalagem, mão de obra e a margem de cada elo. A diferença varia por produto e por região, mas a lógica é sempre a mesma:
| Elo da cadeia | O que acrescenta ao preço |
|---|---|
| Produtor → CEASA | frete da lavoura, classificação, embalagem |
| CEASA (atacado) | preço de referência deste site |
| CEASA → varejo | frete, perdas (10–30% em folhosas), margem do sacolão/mercado |
| Varejo → consumidor | margem final, ponto comercial, serviço |
Por isso a cotação de atacado é tão valiosa: ela é o piso real do mercado, o número que feirantes, restaurantes, atacadistas e compradores em volume usam para negociar — e o melhor termômetro para o consumidor saber se o preço da feira está justo.
Como o preço do hortifrúti se forma
Diferente dos grãos, que têm cotação em bolsa e estoque longo, o hortifrúti é perecível e sazonal. O preço reage rápido a:
- Safra e entressafra — na colheita a oferta sobe e o preço cai; na entressafra, sobe;
- Clima — geada, chuva fora de época ou seca mudam a cotação em dias;
- Frete e distância — produto que vem de longe carrega o custo do transporte;
- Oferta regional — cada CEASA reflete a produção da sua região, por isso o mesmo produto tem preços diferentes entre as centrais.
Essa volatilidade é a razão de acompanhar a série histórica: ela separa a variação sazonal normal de um movimento real de mercado. Um tomate 20% mais caro pode ser só o pico sazonal de sempre — ou um sinal de quebra de safra.
Como ler a cotação: unidades e variação
Um erro comum é comparar preços sem olhar a unidade. Nem tudo é cotado por quilo:
| Produto | Unidade típica | Observação |
|---|---|---|
| Tomate, batata, cebola, banana | R$/kg | maioria dos produtos |
| Alface, couve | R$/dúzia (dz) | vendidas por maço/unidade |
| Ovos | R$/dúzia | por dúzia ou caixa |
| Coco verde | R$/unidade (un) | unidade |
Comparar “R$ 25 a dúzia” de alface com “R$ 3 o quilo” de tomate não faz sentido — são unidades diferentes. Nas páginas de cada produto a unidade vem sempre indicada, junto com a variação na semana (alta ▲ ou queda ▼ frente a ~7 dias antes) e o histórico mensal.
Sazonalidade: o melhor mês para comprar
Cada hortifrúti tem uma curva anual. Conhecer o mês de safra (preço mais baixo) e o de entressafra (mais caro) ajuda a planejar a compra para revenda, o cardápio do restaurante ou o estoque do processamento. Alguns padrões clássicos:
- Tomate — tende a ficar mais barato no fim da safra de inverno e mais caro em períodos de chuva intensa;
- Morango — concentra os menores preços na primavera/início do verão;
- Frutas tropicais (manga, melancia) — caem no auge da colheita de verão.
Em cada página de produto, a análise de sazonalidade aponta automaticamente o mês historicamente mais barato e o mais caro, com base na média dos últimos dois anos. É a informação que o comprador profissional usa para “comprar na janela”.
Comparar o preço entre CEASAs
Aqui está a maior lacuna do mercado: cada central publica a sua cotação, em formatos diferentes, sem comparação nacional. Para saber onde o alho está mais barato hoje, seria preciso abrir dezenas de sites estaduais.
Este site resolve isso: para cada produto, mostramos o ranking das centrais que cotam aquele item, da mais barata à mais cara, sempre com cotações recentes (para não misturar preços de datas distantes). Assim dá para ver, por exemplo, em qual CEASA a banana prata está mais em conta na semana — um cruzamento de dados que nenhuma central isolada oferece.
As principais CEASAs do Brasil
O país tem dezenas de centrais. Algumas concentram a maior parte do volume e servem de referência de preço para regiões inteiras:
| Central | Praça | Abrangência |
|---|---|---|
| CEAGESP | São Paulo (SP) | maior da América Latina; referência nacional |
| CEASAMINAS | Contagem (MG) | maior do Sudeste fora de SP |
| CEASA Campinas | Campinas (SP) | interior paulista |
| CEASA-PR | Curitiba, Maringá, Londrina (PR) | rede estadual do Paraná |
| CEASA-RS | Porto Alegre (RS) | referência do Sul |
| CEASA-GO | Goiânia (GO) | Centro-Oeste |
| CEASA-DF | Brasília (DF) | Distrito Federal e entorno |
| CEASA Grande Recife | Recife (PE) | Nordeste |
Cada uma reflete a produção e a logística da sua região — por isso o mesmo produto pode custar bem diferente entre elas. Na seção de Preços CEASA você navega por central e por produto, e compara as cotações lado a lado.
Para quem produz e comercializa
Para o produtor e o atacadista, a cotação da CEASA é a base de várias decisões:
- Dimensionar a venda — saber o preço de atacado antes de fechar com o comprador;
- Planejar a colheita — antecipar ou segurar a oferta conforme a curva de preço;
- Emitir a nota fiscal — todo produto tem um código NCM (o do alho é o 0703.20.90, por exemplo) usado na nota e na tributação. As páginas de produto já trazem o link para a ficha fiscal completa no Buscador NCM.
Quem produz grãos, e não hortifrúti, encontra a análise equivalente na calculadora de custo e margem por hectare e no comparador de margem entre culturas — e pode navegar tudo por cultura.
Onde acompanhar os preços
A seção de Preços CEASA reúne a cotação de atacado de dezenas de produtos em mais de 40 centrais do Brasil, com:
- preço de hoje e variação na semana, por produto e por central;
- histórico de até 24 meses em gráfico interativo;
- sazonalidade (mês mais barato) e picos de preço;
- comparação entre CEASAs (onde está mais barato);
- cruzamento com o produtor — link para o perfil agropecuário do município e para a ficha fiscal NCM de cada produto.
Glossário: termos da cotação
Quem acompanha a CEASA esbarra em termos próprios do atacado. Os principais:
- Preço mais comum — o valor em que a maior parte dos negócios fechou no dia; é a melhor referência (mais que o mínimo ou o máximo isolados);
- Preço mínimo e máximo — a faixa do dia; produtos de qualidade superior puxam o topo;
- Caixa (cx) / engradado — a embalagem padrão de comercialização (uma caixa de tomate, um engradado de folhosas); o preço por quilo deriva dela;
- Classificação / tipo — produtos são separados por tamanho e qualidade (ex.: tomate longa vida, salada); o tipo muda o preço;
- Posto na CEASA — preço com o produto já entregue na central, sem frete adicional ao comprador.
Entender esses termos evita comparar maçãs com bananas — literalmente. Na seção de Preços CEASA a cotação já vem normalizada por unidade (R$/kg, dúzia ou unidade), com a data de cada registro, para a comparação ser justa.
Quem usa a cotação da CEASA
A referência de atacado serve a públicos diferentes:
- Produtores e cooperativas — para negociar a venda e decidir quando colher ou segurar a oferta;
- Atacadistas e distribuidores — base de compra e revenda;
- Sacolões, feirantes e supermercados — para precificar com a margem do varejo;
- Restaurantes, hotéis e indústria — para planejar compras em volume e o cardápio pela sazonalidade;
- Consumidor atento — para saber se o preço da feira está justo frente ao atacado.
Perguntas frequentes
O preço da CEASA é o que eu pago na feira?
Não. É o preço de atacado, pago pelo atacadista na central — antes do frete, das perdas e da margem do varejo. Na feira e no mercado, o consumidor paga mais. A cotação serve de referência para saber se o preço do varejo está justo.
Por que o mesmo produto tem preços diferentes entre as CEASAs?
Porque cada central reflete a oferta da sua região. Um produto cultivado perto de uma CEASA chega mais barato ali; em outra central, mais distante, carrega o frete. Clima e safra regionais também pesam. Por isso vale comparar entre as centrais.
Com que frequência o preço é atualizado?
A cotação do hortifrúti é diária (dias úteis). Os dados vêm do Prohort/Conab e cada central reporta em dias ligeiramente diferentes — por isso a comparação “onde está mais barato” usa apenas as cotações mais recentes.
Qual o NCM do tomate, do alho, da batata?
Cada produto in natura tem um código NCM (tomate 0702.00.00, alho 0703.20.90, batata 0701.90.00). Ele é usado na nota fiscal e na tributação. A página de cada produto traz o link direto para a ficha fiscal no Buscador NCM.
Como sei o melhor mês para comprar mais barato?
Pela sazonalidade histórica. Cada página de produto aponta o mês que costuma concentrar os menores preços, com base na média dos últimos 24 meses — útil para quem compra para revenda, restaurante ou processamento.