O número de peixes sai da conta: biomassa final dividida pelo peso de venda. Não existe uma densidade que sirva para todo tanque. O limite é o oxigênio disponível na água, e quanto maior a densidade, menor tende a ser o peixe no fim do ciclo.
A fórmula do povoamento
Peixes = biomassa final ÷ peso final. A Embrapa Agrossilvipastoril usa esse roteiro no material de cálculo de povoamento de viveiros e tanques-rede.
No exemplo dela, com matrinxã em viveiro escavado e biomassa final de 7.500 kg/ha, para peixes de 1,5 kg:
- Peixes na engorda: 7.500 kg ÷ 1,5 kg = 5.000 peixes por hectare, ou 0,5 peixe por m².
- Alevinos a comprar: com 4% de mortalidade na alevinagem, 5.000 + 200 = 5.200 peixes.
- Área de alevinagem: a densidade costuma ser menor nessa fase. Com um terço da biomassa da engorda (2.500 kg/ha) e 500 kg de peixes de 0,1 kg no final, são 0,2 ha.
Os mesmos passos valem para outra espécie, trocando biomassa, peso e mortalidade pelos do seu sistema.
Biomassa muda com a água e o manejo
A publicação traz estes resultados de pesquisa, cada um no próprio sistema:
| Peixe | Dias de engorda | Peso final | Biomassa |
|---|---|---|---|
| Matrinxã | 300 | 1,5 kg | 7,5 t/ha |
| Tambaqui | 300 | 1,8 kg | 7,2 t/ha |
| Tambaqui | 300 | 2,62 kg | 18,0 t/ha |
| Pintado amazônico | 270 | 1,9 kg | 8,0 t/ha |
No tambaqui, a diferença de 7,2 para 18 t/ha mostra o peso do oxigênio: a própria publicação associa o aumento de densidade à necessidade de mais aeração, de emergência num caso e diária no outro. Passar do limite sem prever oxigênio causa estresse, atrasa o crescimento e pode levar à morte em massa.
E a tilápia?
Um livro técnico sobre tilápia-do-nilo no Paraná, publicado em 2015, registra no oeste do estado, em viveiros de até 1 ha, 2,5 tilápias por m² e 1,19 kg/m² de produtividade, com ciclo de 210 a 250 dias e peso médio de 750 g. É o retrato de uma região e de um sistema, não uma recomendação para todo tanque.
Em tanque-rede a conta é por metro cúbico, porque a água renova. A Embrapa dá o exemplo do tambaqui com 48 peixes por m³: num tanque de 6 m³ são 288 peixes, ou cerca de 275 kg com 0,954 kg cada. Para 1.000 kg, 4 tanques.
Antes de encher o tanque
- Licença: criação em viveiro e uso da água dependem das regras do seu estado. Confira com o órgão ambiental e o de recursos hídricos.
- Quanto se produz na região: a aquicultura por município, do IBGE, mostra a produção de tilápia e de outras espécies por estado e município.
- Quem compra: a produção de peixe também aparece nos frigoríficos com SIF. Registro no cadastro não prova compra atual.
- Água e área: o conversor de medidas ajuda a passar de hectare para m².
Perguntas frequentes
Quantos peixes por metro quadrado em tanque escavado?
Divida a biomassa final do sistema pelo peso de venda: 7.500 kg/ha e peixes de 1,5 kg dão 0,5 peixe por m². No oeste do Paraná, um livro técnico de 2015 registra 2,5 tilápias por m². A Calculadora Rural traz o roteiro, porque o limite depende do oxigênio e do manejo.
Quantos peixes por metro cúbico em tanque-rede?
A conta é por m³: no exemplo da Embrapa com tambaqui, 48 peixes por m³, o que dá 288 num tanque de 6 m³. A densidade muda com espécie, tamanho e renovação da água. A Calculadora Rural usa esse exemplo só para mostrar o método.
Como calcular quantos alevinos comprar?
Some ao número de peixes da engorda a mortalidade prevista nas fases anteriores. Para 5.000 peixes e 4% de perda, são 5.200 alevinos. A Calculadora Rural segue o roteiro da Embrapa Agrossilvipastoril.
Colocar mais peixes rende mais?
Nem sempre: quanto maior a densidade, menor tende a ser o peixe, e o oxigênio vira o limite. Passar dele sem aeração causa estresse e pode levar à morte em massa. A Calculadora Rural separa o método do manejo, que depende do seu sistema.
Fontes: Daniel Rabello Ituassú, Cálculo de povoamento de viveiros, Embrapa Agrossilvipastoril; Silva, Maciel, Dalmass e Gonçalves, Tilápia-do-nilo: criação e cultivo em viveiros no estado do Paraná, 2015; IBGE, Pesquisa da Pecuária Municipal, tabela 3940.