A Receita Federal publicou em 7 de agosto de 2026, às 13h47, a tabela nacional de Valores de Terra Nua (VTN) do exercício 2026 — a referência que ela usa para conferir o VTN declarado na DITR. Desta vez saiu três dias antes de a DITR abrir (10 de agosto), mais cedo que nos últimos exercícios. A publicação não é anunciada: o arquivo entra direto na página de documentos técnicos. Desde então ela corrigiu o próprio arquivo duas vezes, em 21 e em 28 de agosto — os números abaixo já são os da última versão.
Entre os municípios que aparecem nas tabelas de 2025 e 2026, a referência da terra de lavoura de aptidão boa subiu 4,8% na mediana nacional. A mediana, porém, resume pouco: dos 2.669 municípios com valor de lavoura de aptidão boa nos dois exercícios, 2.143 subiram, 183 caíram e 343 mantiveram o mesmo valor — destes, 271 repetiram a tabela inteira, aptidão por aptidão.
Já atualizamos a tabela VTN com o exercício 2026 completo, inclusive as erratas de 21 e 28 de agosto. São 3.179 páginas de município no site — mais que os 3.077 da tabela nova, porque mantemos no ar os que saíram dela, com o último exercício publicado.
O que mudou na tabela 2026
| 2025 | 2026 | |
|---|---|---|
| Municípios na tabela | 2.768 | 3.077 |
| Estados representados | 20 | 22 |
| Municípios que entraram | — | 379 |
| Municípios que saíram | — | 70 |
Duas unidades da federação estreiam na tabela nacional: Acre (Porto Acre) e Paraíba (2 municípios). Nenhum município desses estados havia enviado valores à Receita até então.
O salto de cobertura não foi uniforme — ele veio quase todo de dois estados:
- Santa Catarina: 161 municípios novos, de 56 para 217
- Pará: 121 municípios novos, de 23 para 144
A explicação está numa coluna discreta do PDF: a coluna “Fonte”, que marca se o valor veio do município (1) ou de um órgão estadual (2). Dos 379 municípios que entraram em 2026, 277 vieram de órgão estadual — em SC foram 153 de 161, no PA 119 de 121. O avanço veio menos de prefeituras individuais e mais dos órgãos estaduais de assistência técnica e de terras, que passaram a alimentar o SIPT em bloco. Na tabela inteira, 1.558 dos 3.077 municípios (51%) têm valor informado por órgão estadual.
Quanto o VTN subiu em cada estado
Variação mediana da lavoura de aptidão boa, entre os municípios que constam nas duas tabelas:
| Estado | Variação mediana | Municípios comparados | Subiram | Caíram | Sem mudança |
|---|---|---|---|---|---|
| Sergipe (SE) | +18,0% | 2 | 2 | 0 | 0 |
| Rondônia (RO) | +10,8% | 18 | 13 | 3 | 2 |
| Piauí (PI) | +10,4% | 12 | 8 | 0 | 4 |
| Mato Grosso (MT) | +8,0% | 127 | 120 | 1 | 6 |
| Mato Grosso do Sul (MS) | +6,9% | 73 | 70 | 2 | 1 |
| São Paulo (SP) | +6,1% | 645 | 582 | 42 | 21 |
| Tocantins (TO) | +5,8% | 63 | 53 | 6 | 4 |
| Pernambuco (PE) | +5,8% | 1 | 1 | 0 | 0 |
| Espírito Santo (ES) | +5,0% | 3 | 3 | 0 | 0 |
| Rio de Janeiro (RJ) | +4,9% | 92 | 92 | 0 | 0 |
| Bahia (BA) | +4,9% | 28 | 19 | 1 | 8 |
| Pará (PA) | +4,7% | 18 | 13 | 1 | 4 |
| Alagoas (AL) | +4,6% | 3 | 3 | 0 | 0 |
| Minas Gerais (MG) | +4,4% | 791 | 572 | 20 | 199 |
| Goiás (GO) | +4,3% | 172 | 150 | 5 | 17 |
| Rio Grande do Sul (RS) | +4,3% | 173 | 146 | 9 | 18 |
| Santa Catarina (SC) | +4,2% | 50 | 38 | 4 | 8 |
| Paraná (PR) | +2,1% | 387 | 253 | 88 | 46 |
| Maranhão (MA) | +2,1% | 10 | 5 | 1 | 4 |
| Ceará (CE) | 0,0% | 1 | 0 | 0 | 1 |
| Brasil | +4,8% | 2.669 | 2.143 | 183 | 343 |
Sergipe, Pernambuco, Ceará, Espírito Santo e Alagoas aparecem com 1 a 3 municípios comparáveis — a mediana ali descreve aqueles municípios, não o estado. Os 22 estados da tabela 2026 não estão todos aqui porque Acre e Paraíba estreiam agora e não têm 2025 para comparar.
Dois casos chamam atenção:
- Paraná teve a menor alta entre os estados grandes (+2,1%) e concentra as reduções: 88 dos 387 municípios comparados tiveram VTN menor em 2026, o maior número absoluto do país.
- Maranhão empata com o Paraná na menor alta do país (+2,1%), mas com outra base: são 10 municípios comparáveis, dos quais 5 subiram, 1 caiu e 4 repetiram o valor.
A variação é da referência oficial que cada município envia ao SIPT — não é índice de reajuste nem medida do mercado de terras. Um município pode subir 40% simplesmente porque enviou um laudo novo depois de anos parado.
Os 271 municípios que repetiram o valor do ano passado
271 municípios publicaram em 2026 exatamente os mesmos seis valores de 2025 — centavo por centavo, em todas as aptidões. Na prática, são municípios que não enviaram avaliação nova — a tabela repete a referência anterior.
Isso vale saber na hora de declarar. A referência continua valendo como parâmetro de fiscalização, mas tende a envelhecer em relação ao preço praticado na região. Se a terra do município valorizou e a referência ficou parada, vale ter em mente:
- declarar muito acima da referência não é problema (o VTN é autoavaliação a preço de mercado em 1º de janeiro, art. 8º, § 2º, da Lei 9.393/96);
- declarar abaixo da referência é o que aciona o arbitramento pelo SIPT, com multa de 75% a 150%.
Cada página de município marca quando o valor se repetiu — é o sinal = ao lado do valor, no hub do seu estado.
A Receita corrigiu a própria tabela 2026 em 21 de agosto
Duas semanas depois de publicar, em 21 de agosto de 2026 às 10h24, a Receita reenviou o arquivo do exercício 2026 — mesmo título na página, mesmo link na tela, arquivo diferente. Nenhum município entrou ou saiu (eram 3.076 nas duas versões), mas nove tiveram valor trocado:
| Município | O que mudou | Publicado em 7/8 | Corrigido em 21/8 | |
|---|---|---|---|---|
| Itamaraju (BA) | lavoura aptidão boa | R$ 292.348,04 | R$ 29.234,80 | −90% |
| Israelândia (GO) | as 6 aptidões | R$ 180.000,00 | R$ 37.190,00 | −79% |
| Capinópolis (MG) | silvicultura/pastagem natural | R$ 3.000,00 | R$ 30.000,00 | +900% |
| Clevelândia (PR) | as 6 aptidões | R$ 132.700,00 | R$ 95.500,00 | −28% |
| Doutor Camargo (PR) | as 6 aptidões | R$ 100.700,00 | R$ 131.367,60 | +30% |
| Ivaiporã (PR) | as 6 aptidões | R$ 112.700,00 | R$ 81.100,00 | −28% |
| Rio Negro (PR) | as 6 aptidões | R$ 87.285,00 | R$ 56.000,00 | −36% |
| Tapes (RS) | as 6 aptidões | R$ 19.893,50 | R$ 17.733,17 | −11% |
| Presidente Prudente (SP) | as 6 aptidões | R$ 12.534,80 | R$ 15.378,46 | +23% |
Os dois primeiros são erro de vírgula corrigido na origem: Itamaraju (BA) estava com R$ 292 mil por hectare de lavoura boa — dez vezes o valor real, e o maior VTN da Bahia inteira na versão anterior. Capinópolis (MG) é o mesmo erro ao contrário, para baixo. Em Clevelândia (PR), o arquivo de 2026 tinha trazido de volta justamente o número que a Receita havia corrigido no exercício 2025 duas semanas antes; agora os dois exercícios batem.
O efeito não fica só nas nove páginas. Como Itamaraju e Israelândia lideravam o ranking dos seus estados, a média da lavoura boa na Bahia cai de R$ 21.073 para R$ 14.809 por hectare e o primeiro lugar do estado passa a ser Eunápolis; em Goiás, passa a ser Goiânia. A variação mediana da Bahia sai de +5,9% para +4,9% e a do Paraná, de +2,3% para +2,1%.
Nada disso é anunciado. A única pista na página da Receita é a coluna “Data de modificação” mudando de 07/08/2026 para 21/08/2026 — e o nome do arquivo, que virou tabela-vtn-2026-paa-publicacao-3.pdf. Se você baixou o PDF entre 7 e 21 de agosto, está com nove municípios desatualizados; se declarou por um deles, vale conferir.
E reenviou de novo em 28 de agosto, com mais três municípios
Uma semana depois da primeira errata, em 28 de agosto de 2026 às 11h53, a Receita reenviou o arquivo do exercício 2026 pela terceira vez. Dessa vez o nome do arquivo entregou a troca: tabela-vtn-2026-paa-publicacao-3.pdf virou tabela-vtn-2026-para-publicacao-4.pdf — o erro de digitação no próprio nome foi corrigido junto. A linha na página continua a mesma.
Agora um município entrou na tabela e dois tiveram valor trocado — o total sai de 3.076 para 3.077:
| Município | O que mudou | Publicado em 21/8 | Corrigido em 28/8 | |
|---|---|---|---|---|
| Adelândia (GO) | entra na tabela 2026 (estava fora dela, com o valor de 2025) | R$ 28.925,62 (exercício 2025) | R$ 33.264,46 | +15,0% |
| Chapadão do Céu (GO) | as 6 aptidões, para baixo | R$ 31.470,54 | R$ 29.640,19 | −5,8% |
| Boa Vista das Missões (RS) | pastagem, silvicultura e preservação, para cima | R$ 14.711,74 (pastagem) | R$ 36.338,01 | +147,0% |
Valores de lavoura de aptidão boa, exceto Boa Vista das Missões, onde a mudança está nas aptidões de baixo.
Boa Vista das Missões (RS) é o caso que mais pesa para quem declara. Na versão de 21 de agosto, cinco das seis aptidões do município estavam abaixo do exercício 2025 — a pastagem plantada 58% menor, a silvicultura 69% menor e a preservação 80% menor. A versão de 28 de agosto põe todas de volta na linha do ano anterior (+2,8%, +3,2% e +4,0%). Quem se guiou pela tabela antiga para declarar pastagem ou área de preservação ali estava com uma referência muito abaixo da real — e declarar abaixo da referência é justamente o que aciona o arbitramento pelo SIPT.
Em Chapadão do Céu (GO) o efeito é o oposto e menor: a referência caiu 5,8% na lavoura boa, então quem já declarou pelo número antigo declarou acima da tabela nova — não gera malha, mas pode ter pago mais ITR do que precisava. E Adelândia (GO) deixa de ser um município “fora da tabela nova”: tinha ficado no exercício 2025 e agora tem valor de 2026, 15% acima em todas as aptidões.
Somando as duas erratas, doze municípios mudaram depois da publicação — e nenhuma das duas foi anunciada. A tabela aqui foi atualizada no mesmo dia do re-envio.
A Receita também corrigiu a tabela de 2025 — no mesmo dia
Passou despercebido, mas dois minutos antes de publicar o VTN 2026, às 13h45, a Receita reenviou o arquivo do exercício 2025. Comparando a versão que estava no ar desde setembro de 2025 com a de agora, nenhum município entrou ou saiu, mas dois tiveram o valor corrigido — para baixo:
| Município | VTN 2025 anterior | VTN 2025 corrigido | |
|---|---|---|---|
| Clevelândia (PR) | R$ 132.600,00/ha | R$ 95.500,00/ha | −28% |
| Pedro Gomes (MS) | R$ 11.966,67/ha | R$ 8.469,86/ha | −29% |
Não é um caso isolado: a página da Receita mostra que as tabelas de 2021, 2023 e 2024 também foram reenviadas ao longo de 2025. A coluna “Data de modificação” daquela página não é data de publicação — é a data do último re-upload do arquivo. Vale conferir: quem baixou o PDF uma vez e guardou pode estar com um número que já foi corrigido na origem.
O que fazer agora que a DITR abre dia 10
- Consulte a referência atualizada do seu município na tabela VTN 2026 — cada página mostra os exercícios lado a lado e a variação.
- Identifique a aptidão predominante da área tributável (área total menos APP, Reserva Legal e áreas inaproveitáveis). O valor certo é o da aptidão que corresponde ao uso real do imóvel, não o mais alto nem o mais baixo da tabela.
- Calcule o imposto na calculadora de ITR, que já vem com o VTN do município pré-preenchido a partir da página dele.
- Se você arrenda, lembre que o teto legal de 15% ao ano incide sobre o VTN declarado — a tabela nova muda o teto. Veja a tabela de arrendamento por estado.
- Entrega de 10/08 a 30/09. Fora do prazo, a multa é de 1% ao mês sobre o imposto devido, com mínimo de R$ 50 — os detalhes estão no guia da DITR 2026.
Perguntas frequentes
Quando saiu a tabela VTN 2026?
Em 7 de agosto de 2026, às 13h47, na página de documentos técnicos da Receita Federal, e corrigida no mesmo endereço duas vezes: em 21 de agosto de 2026, às 10h24, e em 28 de agosto de 2026, às 11h53. Não houve anúncio de nenhuma das três. Nos exercícios anteriores a publicação saiu em julho/2022, agosto/2023, outubro/2024 e setembro/2025 — sempre entre julho e outubro, sem data marcada. O de 2026 foi o mais cedo da série.
A tabela VTN 2026 mudou depois de publicada?
Sim, duas vezes. Em 21 de agosto de 2026 a Receita reenviou o arquivo com nove municípios trocados — Itamaraju (BA), Israelândia (GO), Capinópolis (MG), Clevelândia, Doutor Camargo, Ivaiporã e Rio Negro (PR), Tapes (RS) e Presidente Prudente (SP). Em 28 de agosto reenviou de novo, com Adelândia (GO) entrando na tabela e valores novos em Chapadão do Céu (GO) e Boa Vista das Missões (RS) — o total foi de 3.076 para 3.077 municípios. A tabela VTN da Calculadora Rural já está com a versão mais recente das três. Quem baixou o PDF da Receita antes de 28 de agosto está com valores que já foram corrigidos na origem.
O VTN 2026 substitui o de 2025 na declaração?
Sim, para a DITR 2026 a referência é a tabela do exercício 2026. O VTN declarado deve refletir o valor de mercado da terra nua em 1º de janeiro de 2026.
Meu município não está na tabela 2026, mas estava na de 2025.
Acontece: 70 municípios que constavam em 2025 não aparecem na tabela 2026. A referência anterior não é revogada — ela apenas deixa de ser atualizada. Mantemos essas páginas no ar com o último exercício publicado, marcado como tal. Para declarar, use pesquisa de mercado local ou laudo técnico (NBR 14.653-3).
A Pauta de Valores de Terra Nua do Incra serve para o ITR?
Não. A pauta do Incra existe para titulação de assentamento e regularização fundiária, traz o custo médio da terra obtida pela autarquia em vez do preço de mercado, e sai por região rural do IBGE — municípios bem diferentes recebem valor idêntico. Para o ITR, a régua é a tabela da Receita/SIPT.